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ANA DINIZ E SEUS COCOS, CIRANDAS E CANÇÕES A jovem pernambucana Ana Diniz lançou recentemente seu CD de estréia Cocos, cirandas e canções (Independente, 2007) e com este debut mostra um trabalho vivo, bonito e diferente do que se ouve na maioria das estréias das cantoras brasileiras atuais. Composto de cocos, cirandas, loas, canções, ritmos da Zona da Mata de Pernambuco, este álbum de estréia mostra uma compositora criativa, arranjos simples e funcionais e, principalmente, uma poderosa interpretação vocal – diferente dos modos manjados de as cantoras usarem sua voz nos últimos tempos. Com seu timbre encantador (de mesma linhagem daquela jovem Elba Ramalho da década de 70), ela imprime às suas composições sua marca pessoal. Sua voz não busca alcançar aquele tom que todos querem ouvir como uma continuadora disso ou daquilo. Foge do lugar-comum e por isso mesmo desperta interesse logo à primeira audição. Ana Diniz canta acompanhada apenas pela rabeca de Sônia Guimarães e pela percussão de Jerimum de Olinda. O disco tem arranjos da própria Ana divididos com a rabequista Sônia e Mauro Delê e produção de Roberto Lessa. São melodias simples e possuem, ao mesmo tempo, aquele requinte que só as coisas simples possuem. Ricas em tonalidades interpretativas, na leitura de sua terra tendo, porém, a força de superar as fronteiras justamente pela beleza lírica que as composições possuem. Suas letras que falam do cenário cultural, que falam da própria canção (metacanções). Versos simples e bonitos como "É a fome que se alastra / Dá pena / Não tem novena que cure essa dor / Porque nasce essa dor da terra" (de "Vixe Maria") atingem uma força incrível quando entoados pela voz de Ana. Seu canto intercalado com agudos guturais, acompanhada por uma percussão certeira e uma rabeca tensa, em alguns momentos, tênue, em outros, joga a lembrança à música moura, mediterrânea, vinda via Portugal, e acoplada, já há muito tempo, à canção brasileira. Um grande disco se faz, antes de tudo, com um repertório consistente. Ana Diniz, com sua voz de encantadora do fogo, consegue isso neste Cocos, cirandas e canções . Um álbum que lateja, que mostra uma honestidade que anda muito em falta em nosso cenário artístico e cultural. Evoé Ana!
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A happy and joyful holiday season to you.
Regards,
Coretta